domingo, 27 de fevereiro de 2022
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
O ciúme por Vergílio Ferreira
"O ciúme. Que irritante. Ele é uma expressão da avidez da propriedade. Ou da petulância do domínio. Ou do gosto da escravização."
Vergílio Ferreira
sábado, 12 de fevereiro de 2022
O livro e a leitura por Jorge Luís Borges
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Trecho de "Rápida a Sombra" de Vergílio Ferreira
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Frase do poeta português Daniel Jonas
Daniel Jonas
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Os princípios da Moral por José Tavares de Mello
Os quatro princípios da Moral, pelo professor e sociólogo brasileiro José Tavares de Mello:
1. Filosófico: LEI;
2. Religioso: DEUS;
3. Humano: AMOR PRÓPRIO;
4. Político: AMOR A SOCIEDADE.
sábado, 27 de novembro de 2021
Os sete pecados sociais por Mahatma Gandhi
domingo, 17 de outubro de 2021
A aventura por Ana Hatherly
sábado, 9 de outubro de 2021
As presenças do ser por Teixeira de Pascoaes
quinta-feira, 16 de setembro de 2021
O passado por Gabriel Garcia Marquez
"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado."
Trecho do livro "O Amor nos Tempos do Cólera" do escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Poesia de Nuno Morais
Deveria ser dado que morrêssemos
Com um amor ainda vivo em nós,
Como deveria ser dado a um pássaro
Morrer naturalmente em pleno voo.
Nuno Morais
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
O que é um poema? por Daniel Keene
"O que é um poema? Seria preciso um poema para responder a esta questão, o que pode começar a deixar entrever o que é um poema. Talvez um poema seja uma resposta imaginária a uma questão inexistente. Talvez um poema seja uma condensação de sentido a ponto de chegar a uma realidade única e indesmentível (por mais modesta que seja). Talvez um poema seja música disfarçada de escultura, ela própria escondida num quadro. Talvez um poema seja qualquer coisa que insiste na presença ao ponto de se tornar pura presença. Talvez um poema seja apenas o espaço entre dois silêncios (mas o silêncio depois do poema é diferente do que o precede, o silêncio é alterado pelo poema). A poesia existia antes da escrita. Era uma arte oral/uma tradição oral. Para existir, nem que fosse só para existir, a poesia exigia que o poeta falasse ou cantasse diante de outro. O poema nascia no ouvido do ouvinte. Era teatro".
Por Daniel Keene, in Pièces courtes 2, Montreuil-sous-Bois, Éditions Théâtrales, 2007 | Retirado do excelente blog "Antologia do Esquecimento", do imenso poeta português Henrique Manuel Bento Fialho.
A fotografia que ilustra a postagem é de nossa autoria, de um tempo em que ainda aglomerava-nos como bons animais e não usávamos ornamentos faciais, numa apresentação teatral no Museu do Ipiranga, em 2018, da peça "Sonhos de uma Noite de Verão", inspirada em Shakespeare.
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Arte de Amar, de Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação, não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
Manuel Bandeira
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Palmeirense, até depois de morto!
"No bairro, o avô do meu amigo era sempre lembrado quando alguém batia as botas. Pra qualquer um, uma triste sina essa, não pra ele, nunca foi. Orgulhava-se. Semana passada partiu o seu Orfeu, do nada, como disse certa vez um outro: foi dormir e quando acordou, estava morto. Pois estava mesmo.
E lá foi o avô do meu amigo ser acionado pela filha do homem que cumprira seu destino até o fim com a dignidade que lhe coube. Ele não era coveiro, nem padre. Era sapateiro, no dia a dia. Nos dias especiais, como esse em que as pessoas resolviam partir, ele era estilista, consultor, psicólogo, ou algo do tipo. Preparava as vestimentas dos defuntos, vestia-os. A fama e a confiança eram tantas que aqueles que já andavam mais moribundos, chegavam ali na entrada de sua pequena loja de esquina, puxavam um precário banquinho de madeira, e sentavam para o orientar a respeito dos detalhes do grande dia: as roupas, os sapatos, a gravata, os esconderijos... para a utilização no dia da longa viagem. Alguns também o orientavam quanto ao uso de acessórios especiais, cartas amorosas, camisas de time, fotografias e até penteados, havia nisso tudo um sigilo de confessionário.
Foi assim também com o seu Orfeu, que havia escolhido uma calça social, com sandálias e uma camisa do Palmeiras. Mas aí que está, não podia ser qualquer uma de sua vasta coleção. Era uma camisa que ganhara de presente do centroavante Evair, após um jogo do campeonato brasileiro de 1993, época áurea em que o verdão era patrocinado pela gigante Parmalat.
Mas quando o avô do meu amigo chegou até o leito de partida do amigo, o corpo já estava endurecido, petrificado. Morreu faz tempo, sugeriu. Deve ter deitado para dormir, e logo se foi. Faz muito tempo. Está todo enrijecido, como quem contesta a situação. Está emburrado, é isso. Ora Orfeu, vamos lá, facilita o meu lado, imagino que você não estava programando partir dois dias antes da final da Libertadores com o Santos, mas a escolha não foi sua e você mal pode com ela, pior será se você continuar não colaborando e partir para o outro lado com uma camisa de botões, porque do jeito que você está apenas esse tipo de camisa entrará em você, e aqui no seu armário eu já encontrei uma, preta, da cor dos gambás.
Jogou essa bomba em direção ao ouvido inerte do amigo desfalecido e virou pro lado, para pegar a espuma de barbear. Neste interim o avô do meu amigo apostou que o seu Orfeu pensaria seriamente na ameaça, se algo de seu ser ainda estivesse por ali, com alguma mínima autonomia sobre aquele corpo magro, alto e estático, que sobre o colchão pesava imóvel.
Começou a passar a espuma no flácido e frio rosto do amigo e percebeu um novo ar de sarcasmo em sua face, deu-lhe um safanão no braço esquerdo, com a força necessária para impactar um membro rijo, mas quase arrancou-lhe o braço, de tão mole que estava.
Largou o barbeador no mesmo momento e aproveitou para lhe vestir as calças e a tal camisa do Evair enquanto o corpo estava ainda mole, como um pão amanhecido. Ficou com receio que o amigo, lá do outro lado, vasculhasse a sua consciência e permeasse sobre a real impossibilidade do avô do meu amigo cumprir aquela ameaça criminosa de lhe colocar, em seu derradeiro dia, uma camisa da cor dos gambás.
O seu Orfeu perdeu o gol do Breno Lopes".
sábado, 15 de maio de 2021
Senhor, esta é minha queixa, de Alfonsina Storni
sei que me entenderás:
de amor estou morrendo,
porém não posso amar.
em mim e nos demais,
o perfeito persigo
para poder amar.
Senhor, tem piedade!
De amor estou morrendo,
porém não posso amar.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
A morte de Luiz Fernando Borgerth, o artista da mágica ironia extraordinária
Eu gosto, sempre que possível, de pesquisar pelos abismos da internet, a quantas andam as criações e a vida dos meus artistas favoritos. Vou ali naquele portal de buscas, e digito o nome dela ou dele. Nesta semana resolvi matar as saudades e verificar se havia novas telas do artista carioca Luiz Fernando Borgerth, nascido em 1945, de quem eu tenho o privilégio de ter algumas telas, quando então, depois de verificar algumas novidades em sites de galerias e de leiloeiros, encontrei uma coluna de Walter Navarro, no portal "O Boletim", dando a notícia de que este grande mestre da arte, do desenho e da boemia, havia partido. Precisamente na noite de 31 de Março do ano passado (já há quanto tempo!). Em sua casa, na cidade de São Lourenço, sul de Minas Gerais.
Grande perda. que pelo que notei foi noticiada exclusivamente por esta digníssima coluna. Vai aqui nosso agradecimento e nossos parabéns ao Walter Navarro pela excelente coluna do dia posterior a morte do artista e amigo pessoal do colunista. Foi uma linda e justa homenagem. Antes que todos insinuem, Borgerth não faleceu de COVID-19. Sua morte foi ocasionada por um infarto fulminante. Vale a pena lerem a coluna se puderem (Adeus, Conde Travassos – O Boletim – Informação, opinião e entretenimento).
Alguns sites de arte o identificam simplesmente como "o pintor conhecido pelas obras surreais utilizando miniaturas". Simplista demais. Pra mim, Borgerth tinha uma matéria prima peculiar, uma ironia quase adocicada, dificílima de ser atingida, quase cirúrgica, em torno dos eventos e socializações humanas. Possuía um imaginário fértil e sensual a respeito da convivência entre pessoas. Ele mesclava cenas cotidianas atuais, ora em ambientes medievais, ora em cenários futuristas extraordinários, tudo com maestria, juntava as épocas todas, em harmonia.
O pecado não parece existir em suas telas. Em frente a crianças, cachorros, juízes ou soldados, há quase sempre mulheres nuas ou beberrões, em saudável convivência. A aceitação entre as pessoas é flagrante na postura e nos olhares das personagens, tudo é permitido. O bule é maior do que os homens. O peixe voa. A pescaria acontece por meio de uma engrenagem sofisticada e dourada. Tudo dentro de uma inocência quase infantil, de um boêmio que optou por arrefecer, e partir, na pacata cidade sul mineira.
Nossos profundos sentimentos a família e a arte brasileira pela morte de Luiz Fernando Borgerth (03/05/1945 - 31/03/2020).
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